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O austríaco Wilhelm Reich (1897–1957) realizou suas pesquisas em vários campos, como a Psicologia,
a Biologia e a Política. Reich construiu uma obra monumental a partir da "descoberta" do inconsciente por Sigmund Freud, de quem foi discípulo e posteriormente um de seus maiores críticos. As teses reichianas, de que a neurose é um produto social e a relação entre o inconsciente e o corpo, apontaram para uma nova possibilidade de abordagem dentro da clínica psicológica: a terapia como pedagogia política, um processo libertário de (re)conhecimento de si a partir do corpo e suas reações, posturas, movimentos e comportamentos.
Roberto Freire encontrou em Wilhelm Reich o que mais sentiu falta na Psicanálise: visão política e conteúdo ideológico. Reich, além de ter sido um dos primeiros e principais membros da Sociedade Psicanálitica, foi também militante do Partido Comunista. Acabou expulso do Partido por causa de suas idéias revolucionárias e anti-autoritárias, mas antes desenvolveu um trabalho pioneiro de educação sexual, chamado Sexpol, levando informação e debate para o proletariado alemão. Estas pesquisas marcaram suas divergências com Freud quanto a origem da neurose. Reich defendeu a tese de que, mais do que imanente e antropológica, as dificuldades e problemas emocionais são produzidas pela repressão sexual.
A moral, familiar e religiosa, gera um conflito entre o impulso biológico, o desejo como bússola, e o meio social, o julgamento como disciplina. A ameaça de ser condenado e rejeitado, dissimulada na sutileza dos jogos e chantagens afetivas das famílias burguesas, leva a um controle inconsciente do coletivo sobre a individualidade, onde a norma,
a regra e a lei vão formatando o comportamento.
A outra tese reichiana materializa a idéia de inconsciente. Reich estudou a relação corpo/mente e demonstrou em suas pesquisas como a repressão atua sobre as posturas e movimentos corporais, criando o que ele chamou de "couraça neuro-muscular do caráter". Esta cronificação que atinge o corpo mecaniza o comportamento através dos "distúrbios neuro-vegetativos", reações e alterações corporais e emocionais que se repetem diante de situações sociais de enfrentamento entre a individualidade e o(s) outro(s). Para Reich, a neurose se instala no corpo e se manifesta nas submissões e autoritarismos que reproduzem uma engrenagem necessária para a manutenção do poder do muitos sobre o um. É o grande instrumento de dominação, sutil e perverso, porque padroniza a mediocridade da servidão voluntária e bloqueia os potenciais de diversidade humana.
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